NotíciasIII Webinário Estudos Amadianos celebrou os cento e dez anos de Jorge Amado com edição de livro

III Webinário Estudos Amadianos celebrou os cento e dez anos de Jorge Amado com edição de livro

A poética de algumas das personagens mais conhecidas das obras amadianas trazem consigo traços geoculturais que vinculam a Baía de Todos os Santos aos portos do Recôncavo, notadamente, o de Cachoeira. Aliado ao espaço cultural cacaueiro, Jorge Amado teceu uma baianidade assentada numa tradição histórica e cultural que o tempo bordou como seus territórios de leituras.

Quiseram os encantados dos Reinos de Oxossi e Xangô que saísse desse Portuário à margem esquerda do rio Paraguaçu, terra de caboclos, orixás, inkices e voduns, a obra que celebra os cento e dez anos do escritor Jorge Amado, resultado do III Webinário Estudos Amadianos, reunindo nesta celebração pesquisadores do Brasil, da Itália, França e dos Estados Unidos da América.

Em sua terceira edição, o Webinário Estudos Amadianos tem se evidenciado como instrumento de divulgação, difusão, apoio e incentivo a pesquisas, atividades extensionistas e de ensino, associado a um dos autores mais lidos no mundo, além de contribuir na formação de leitores, leitoras, professoras, professores e discentes. Faz valer, a todo vapor, dimensões de ensino, pesquisa e extensão assentadas pela UNEB e nos esforços da tríade de docentes como Gildeci de Oliveira Leite, Filismina Fernandes Saraiva, Thiago Martins Caldas Prado e todas as colaboradoras e colaboradores deste universo entre duas capas com pinturas de Jane Hilda Badaró que a Portuário Atelier Editorial tem o prazer de apresentar.

Neste universo amadiano, cabe uma merecida homenagem, por Heloísa Prazeres e Maria de Lourdes Netto Simões, ao escritor e poeta itabunense Cyro de Mattos, que dedicou parte de sua leitura crítica escrita ao autor de Jubiabá e Tenda dos Milagres. A necessária homenagem evidencia não só a linguagem poética e a verve à escrita ficcional e crítica de Mattos, mas sua intrínseca relação com as terras e águas cacaueiras do Sul da Bahia, e, claro, o apreço pelo Amado amigo escritor, Jorge.

A leitura de Cyro de Mattos abre caminho para um conjunto de artigos que poderão ser apreciados em dois capítulos: ­“Literatura, História, Carnavalização, Ancestralidade, Mitologia Afro-brasileira” e “Identidades, Cultura e Recepção”. A partir destes dois capítulos, leitores e leitoras encontrarão estudos que perpassam distintas obras e temas explorados por Jorge Amado, dentre os quais o candomblé, as realidades sociais, o contexto político e cultural baiano vão enredando uma percepção estética da ficção produzida ao longo de sua carreira e das publicações difundidas em vários idiomas.

A importância desta obra não está, exclusivamente, na centralidade de temas que percorrem a tradição afro-baiana nas páginas do escritor de Cacau e O país do carnaval, tampouco nos nomes reunidos aqui para celebrar seus 110 anos. A riqueza é sua travessia histórica e atual, unindo portos, estradas, ruas e vielas de uma ponta à outra da Bahia e do mundo, nos fazendo (re)descobrir o ser e estar do Amado Jorge, filho de Oxossi e ministro de Xangô. Se permanece vivo e imortal, é pela força de sua literatura, sua beleza contemporânea e sabedoria ancestral plasmada na noção de tempo impressa em seus passos desde 10 de agosto de 1912, em Itabuna, quanto nasceu esse porto onde ainda atracamos os olhos ávidos.

Salve Jorge!

João Vanderlei de Moraes Filho.
Cachoeira, 27 de setembro de 2022.

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