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A PERSISTÊNCIA DA GUERRA COLONIAL

– CONTRATERRORISMO, “DEMOCRACIAS” E SOBERANIA NACIONAL

Em tempos de se cumprir profecias reais e não utopias inóspitas nas quais não se pode habitar ninguém, o mundo tal como o conhecemos vai tomando forma a base das “guerras” – biológicas, militares e epistemológicas – em detrimento de toda vida humana e do planeta. Uma série de complexos armamentistas espalhados pelo globo prosperam e persistem na vulgar necessidade de colonizar a terra e seus recursos naturais, as pessoas e seus territórios e à vida em suas dimensões espiritual, material, metafísica e subjetiva, ou defender seus modos de vida.

Nem só de petróleo e gás vivem os conflitos entre nações, nem só de armas nucleares e ataques cibernéticos se fazem as barganhas entre a economia, a política e as sociedades espalhadas pelos quatro cantos do  mundo. Nas últimas semanas assistimos ou vivenciamos – qual seja o  melhor modo de dizer – a uma escalada a níveis e graus inimaginavéis de violências e violações e tudo transmitido em tempo real pela internet – com atenção às redes sociais – para além da mídia tradicional. Assim, entre a deomocracia como principio (falido? tal qual o direito internacional? e a ONU? e a OTAN?) e a soberania nacional como ideia, tudo isso que sustentou o Ocidentalismo vem ruindo diante de olhos atônitos nas telas de smartphones de última geração.

A mais recente investida estadounidense ao campo do terrorismo de estado é multipolarizada e aparentemente ininterrupta em todas as direções. A ascenção da China e o retorno da Rússia aos moldes de um tabuleiro de War fizeram com que os EUA disparasse a sua incomesurável máquina de guerra simultaneamente contra si mesma – através do ICE – e contra os outros, seja o Canadá ou Venezuela ou Europa Ocidental, aliados ou inimigos e aliados dos inimigos, que na retórica norteamericana é ainda mais inimigo.

Observo um perigoso atravessamento entre direitos e poder, entre a desdolarização da economia e a soberania dos países produtores de petróleo, entre a OMC e a OMS, presidida pela nigeriana yorubá Ngozi Okonjo-Iweala. Um complexo posto entre as fronteiras e o risco de morte, entre o narcisismo de estado – com a figura de Donald Trump, sendo grande exemplo desta tendência ligada ao soerguimento da extrema direita a nível internacional – e as comunidades autônomas tradicionais, entre as nações, sejam, países ou grupos étnicos-raciais e o stablishiment dos estados-nação, entre o status quo e sua representação, entre a ante-sala da guerra da sociedade de classes contra o capitalismo de estado.

Corporações internacionais, conglomerados financeiros, farmacêuticas, Bigthecs, investidores, entre outros que movem os hilos da dominação e dos massacres e genocídios que reproduzem à máxima expressão os sentidos mais explícitos de uma subjetividade capturada pelo capitalismo que nos conduziu à um tal e atual – mas nem tão atual assim – estado de coisas que a caça, captura, fuga, migração e tráfico de pessoas voltaram à tona e a cena que não se pode mais ignorar seu lastro histórico nem sua atualidade.

Ao encurtar as distâncias, a atual fase da colonização, cria e gera uma repercussão imediata e indeterminada dos efeitos de conflitos seja a guerra da Ucrânia ou a instabilidade política no Irã, o ataque e sequestro do presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, ou o acordo da União Europeia com o Mercosul, sem falar da recém-criada Aliança dos Estados do Sahel (AES) formada por Mali, Níger e Burkina Faso, em 2023, e a não entrada de novos membros permanentes no Conselho Segurança da ONU, além de China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos.

Ou seja, a crise atual, que segue a esteira mais agressiva e violenta desde o início dos anos 2000, incluídos aqui o 11 de setembro, a invasão do Iraque e o crescimento exponecial de ataques na Europa Ocidental, com destaque para França e Inglaterra, seja por grupos radicais islâmicos ou organizações que lutam pelo reconhecimento étnico-territorial. Sem esquecer a crítica e assombrosa situação da Palestina frente aos crimes de guerra do estado de Israel, bem como a participação de frentes de resistência a ordem dominante como EZLN no México e outras formas assumidas por frentes anarquistas espalhadas pelo mundo.

Então, a escalada extremista seja dos Estados-Nação – U.K. França e EUA, sem esquecer da Alemanha – ou dos grupos paramilitares organizados e com incidência internacional como os Talibans entre o Paquistão e Afeganistão, Al-Shabaab na Somália,  o  Lakurawa que atua no Mali, Níger e no norte da Nigéria, o Boko Haram que atua no noroeste da Nigéria, Chade e Camarões, a

Al-Qaeda no Oriente Médio, o IRA na Irlanda do Norte ou o ETA na Espanha, o Hamas na Palestina, o Hezbollah  no Líbano ou o ELN e as FARC na Colômbia na América do Sul. Corroboram um cenário de persistência da guerra colonial.

CAMILLO CÉSAR ALVARENGA [São Félix-Ba, 1988]

Caboclo amazônico-recôncavo guajajara-nagô, Sociólogo, músico, escritor. Doutorando e Mestre em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal da Paraíba. Especialista em Estudos Étnicos e Africanos pelo ISCTE (Instituto Universitário de Lisboa). Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB

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