NotíciasDavi Nunes na Bett Brasil 2026: literatura amefricana, educação e circulação de saberes desde o Recôncavo Baiano

Davi Nunes na Bett Brasil 2026: literatura amefricana, educação e circulação de saberes desde o Recôncavo Baiano

A participação do escritor baiano Davi Nunes na Bett Brasil 2026 representa não apenas um importante marco em sua trajetória literária, mas também um movimento estratégico para a ampliação da circulação de produções negras, quilombolas e amefricanas no campo educacional brasileiro e latino-americano.

Reconhecida como o maior evento de inovação e tecnologia para a educação da América Latina, a Bett Brasil reúne anualmente dezenas de milhares de educadores, gestores, pesquisadores, editoras e especialistas de diferentes países, consolidando-se como uma das principais plataformas internacionais de debate sobre os futuros da aprendizagem, das políticas educacionais e da formação leitora.

É neste cenário que Davi Nunes apresenta ao público a obra O menino Akins e a árvore sagrada, publicada pelo selo Brasil de Todos os Povos. Com ilustrações de Zai Moura, o livro acompanha a trajetória de Akins, menino quilombola guiado por árvores sagradas, pássaros mágicos e ensinamentos ancestrais que articulam espiritualidade, cuidado e relação comunitária com a natureza.

Inspirada nas memórias da infância do autor no Cabula, em Salvador, a narrativa reafirma elementos centrais da escrita de Davi: a valorização da oralidade negra, da ancestralidade, da imaginação como tecnologia de sobrevivência e da literatura enquanto território de reconstrução simbólica.

A presença de Davi na Bett Brasil possui também um significado político e institucional para a Casa Amefricana da Poesia, da qual o escritor é Conselheiro Fiscal. Sediada em Cachoeira, no Recôncavo Baiano, a Casa vem se consolidando como um espaço de articulação cultural comprometido com a difusão literária, os intercâmbios amefricanos e a construção de redes entre escritores, artistas e pesquisadores negros da América Latina e do Caribe.

Nesse processo, ganha destaque a experiência do Quilombo Amefricano de Literaturas, realizado em três edições consecutivas e articulado em parceria com a Portuário Atelier Editorial. O projeto conectou o Recôncavo Baiano ao Caribe colombiano e cubano, reunindo mais de dez artistas da palavra em encontros, performances, rodas de conversa e ações formativas voltadas à construção de uma ecologia literária negra transnacional.

A trajetória de Davi dentro desse movimento evidencia como a literatura produzida desde territórios historicamente marginalizados pode ocupar espaços centrais no debate educacional contemporâneo. Sua participação na Bett amplia a visibilidade de narrativas afrocentradas e fortalece a presença de autores negros em circuitos estratégicos de circulação editorial e pedagógica.

Para a Portuário Atelier Editorial, a experiência também projeta desdobramentos importantes junto ao público leitor, especialmente no fortalecimento de catálogos voltados à bibliodiversidade, às literaturas-terreiro e às pedagogias decoloniais. A circulação de obras como “O menino Akins e a árvore sagrada” em ambientes de alcance internacional amplia possibilidades de leitura, formação crítica e inserção de novos repertórios culturais nas escolas e bibliotecas brasileiras.

Mais do que um lançamento literário, trata-se da afirmação de uma política da palavra: uma literatura comprometida com memória, ancestralidade, imaginação e transformação social.

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