
Giselli Oliveira integra a Coleção Améfrica Literária com romance que articula racismo, capacitismo e emancipação
Autora cachoeirana participa de projeto editorial da Portuário Atelier Editorial e chega à coleção após circular pelo Quilombo Amefricano de Literaturas em Cuba e na Colômbia
A escritora e cientista social Giselli Oliveira, advogada em formação, integra a Coleção Améfrica Literária, projeto da Portuário Atelier Editorial, editora baiana dedicada à bibliodiversidade, à literatura negra e às poéticas produzidas a partir das experiências históricas e culturais da Améfrica. Seu romance Ayó — O que meus passos não alcançam, minha voz atravessa tem lançamento previsto para novembro e chega ao catálogo da editora após ser selecionado pelo Bahia que Escreve, edital da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA), iniciativa pública de estímulo à criação literária e à publicação de escritoras e escritores baianos.
Em Ayó, Giselli Oliveira constrói uma narrativa atravessada por questões contemporâneas e pela experiência concreta de uma mulher negra diante de estruturas sociais que produzem desigualdades. O romance aborda, entre outras questões, racismo, sexismo, capacitismo, autonomia, corpo, identidade e resistência, fazendo da literatura um espaço de elaboração da experiência e de afirmação da voz.
A particularidade da obra está também na relação entre a escrita e os contextos vivenciados pela própria autora. Cientista social e advogada em formação, Giselli transita entre a reflexão sobre as estruturas sociais e a experiência cotidiana de uma sociedade marcada por desigualdades. Em Ayó, essas dimensões não aparecem apenas como temas: são matéria narrativa, transformadas em personagens, conflitos, afetos e possibilidades de emancipação.
Da Améfrica para o mundo

A presença de Giselli na Coleção Améfrica Literária dá continuidade a uma trajetória de circulação internacional iniciada, entre outras ações, com sua participação, em 2024, no Quilombo Amefricano de Literaturas. A escritora integrou as edições realizadas em Havana, Cuba, onde esteve na Casa de África e na Casa de la Poesía de La Habana, e em Cartagena de Indias, Colômbia, no Centro Cultural Gabriel García Márquez, instalado no histórico Claustro de La Merced, na Cidade Amuralhada.
O Quilombo Amefricano de Literaturas é um projeto de internacionalização de autoras e autores negros que conecta cidades e portos da Améfrica por meio da literatura, da memória e da circulação de escritores. O projeto estabelece diálogos entre territórios cujas histórias foram atravessadas pelas rotas do tráfico transatlântico de africanos escravizados — as chamadas Slave Routes, posteriormente objeto de programas de pesquisa e preservação da UNESCO.
A partir dessa experiência internacional, o Quilombo da Palavra, programa de internacionalização vinculado ao projeto, vem criando desdobramentos na presença de escritoras e escritores negros em circuitos literários e culturais no Brasil, no Caribe e na América Latina.
Para João Vanderlei de Moraes Filho, poeta, editor e diretor da Bibliosfera Criativa Brasil, responsável pela gestão do programa, a literatura é também uma forma de deslocamento e criação de novos territórios: “A literatura é uma arte que transforma o espaço-tempo em poéticas emancipatórias.”
Uma coleção que atravessa territórios

A publicação de Ayó amplia o projeto da Coleção Améfrica Literária, que reúne diferentes vozes negras e experiências literárias conectadas por uma perspectiva afro-diaspórica. Integram a coleção, entre outros autores, o escritor baiano Davi Nunes, a escritora colombiana Ashanti Dinah Orozco e a poeta mineira Julia Elisa.
A edição de Ayó terá ilustração de capa da artista visual, ilustradora e artivista decolonial baiana Ani Ganzala, nascida em Salvador, cujo trabalho dialoga com afetividade, espiritualidade afroindígena, decolonialidade e representações de mulheres negras.
Com previsão de lançamento para novembro de 2026, Ayó — O que meus passos não alcançam, minha voz atravessa chega ao público como uma obra que articula literatura e experiência social, colocando em circulação uma voz feminina negra que atravessa fronteiras — do Recôncavo Baiano ao Caribe e à América Latina — e reafirma a literatura como território de criação, memória e emancipação.
Ayó — O que meus passos não alcançam, minha voz atravessa
Autora: Giselli Oliveira
Editora: Portuário Atelier Editorial
Coleção: Améfrica Literária
Previsão de lançamento: novembro de 2026
Projeto contemplado pelo edital Bahia que Escreve — Secretaria de Cultura do Estado da Bahia
Ag. Bibliosfera Criativa Brasil
Comentário
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Radi Oliveira dos Santos
Olá Portuário e todos os navegantes
Quero deixar um abraço muito especial à Giselli. Feliz com a notícia da publicação de Ayó e da entrada dela na Coleção Améfrica Literária. Parabenizá-la pelo quê já acompanho de sua escrita, que traz inteligência e sensibilidade que conseguem partir de uma experiência pessoal para estabelecer um diálogo tão potente com o coletivo, provocando letramento, consciência e posicionamento.
Acho muito bonito ver essa voz ganhando novos espaços e atravessando territórios, como ela própria já vem fazendo. Que Ayó encontre muitos leitores e que essa nova caminhada literária seja tão especial e potente quanto a voz que ela coloca no mundo.
Parabéns, Giselli!
❤️
Que alegria e que orgulho acompanhar esse momento.

Rony bonn
A poetica do título do livro, e Um livre convite para a leitura.
Sucesso GIza!